
Na Espanha, as autoridades policiais desmantelaram uma ampla rede criminosa que lavava milhões de euros, utilizando mulheres ucranianas que fugiram da guerra. Como resultado de uma operação internacional, 12 membros do grupo foram detidos, e foram identificadas pelo menos 55 vítimas.
A investigação durou cerca de dois anos e contou com a participação de autoridades da Espanha, da Ucrânia e da agência policial da União Europeia, a Europol.
Durante a operação, as autoridades realizaram buscas na Espanha e na Ucrânia, apreendendo uma grande quantidade de telefones, computadores, cartões SIM, dinheiro e criptomoedas. Além disso, em 11 países do mundo, foram identificadas e bloqueadas 153 contas bancárias que poderiam estar ligadas a essa rede criminosa.
Segundo a investigação, os criminosos procuravam especificamente mulheres ucranianas que se encontravam em situações de vida difíceis e provenientes de regiões afetadas pela guerra. As mulheres eram transportadas para a Espanha e ajudadas a obter o status de proteção temporária. Posteriormente, abriam-se em seu nome contas bancárias, contas em corretoras de criptomoedas e carteiras digitais para Bitcoin, Ethereum ou Tether. Isso permitia aos criminosos criar uma rede de contas não diretamente ligadas aos organizadores, para que, posteriormente, essas contas fossem utilizadas em operações financeiras destinadas à lavagem de dinheiro obtido por meios ilícitos.
Os investigadores destacam: a organização criminosa, na verdade, explorava as refugiadas, utilizando seus documentos e contas bancárias como instrumento para legalizar milhões de euros de rendimentos criminosos, e o esquema não era complexo e funcionava por meio de plataformas online de jogos de azar. O esquema funcionava apenas porque, devido ao grande número de contas, era difícil rastrear o movimento dos fundos.
Os criminosos solicitavam cartões de crédito e os vinculavam a contas de jogos, após o que iniciavam apostas automatizadas por meio de um software especial. Dessa forma, o dinheiro obtido de forma criminosa era “revolvido” pelo sistema de apostas e retornava como se fosse um lucro supostamente legal.
Conforme observam os especialistas em segurança cibernética e os criminalistas que conduziram a reconstituição desse crime: em esquemas semelhantes, a criptomoeda (na maioria das vezes Bitcoin, Ethereum ou as stablecoins Tether) poderia ser utilizada como instrumento para “lavagem de dinheiro e (ou) ocultação de sua origem”. Assim, para não levantar suspeitas dos bancos, os valores eram divididos em parcelas menores ou os recursos eram rapidamente convertidos em criptomoedas por meio de exchanges e de trocas P2P. Além de tudo isso, as participantes do esquema podiam sacar dinheiro, confirmar contas (KYC) e realizar transferências conforme instruções.
Apesar de as diferentes jurisdições terem dificultado significativamente a coordenação do trabalho policial, todos os fluxos financeiros suspeitos, padrões de transações idênticos e ligações entre contas foram identificados e documentados. Assim como o fato de que as vítimas eram obrigadas não apenas a abrir contas bancárias, mas também a repassar os subsídios do governo que recebiam como refugiadas.