
Após a publicação dos “arquivos de Epstein”, surgiu uma onda de declarações bombásticas na esfera pública sobre o possível uso de criptomoedas em esquemas clandestinos. Existe a hipótese de que as criptomoedas poderiam ter sido usadas para pagar serviços ilegais no âmbito das atividades de Epstein. Especialistas que analisaram os documentos afirmam: a realidade é muito mais complexa – mais terrível e sensacional do que sugerem os rumores, afirmam os pseudoespecialistas e a imprensa sensacionalista.
Os “Arquivos de Epstein” são um enorme conjunto de materiais, documentos, correspondências e registros financeiros reunidos no âmbito das investigações contra o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Apesar de não haver menções aos nomes dos fundadores de corretoras de criptomoedas e de investidores famosos em criptomoedas nos arquivos divulgados, sabe-se que pelo menos 550 páginas foram total ou parcialmente editadas com o objetivo de ocultar nomes.
Nos documentos aparecem empresários e financistas conhecidos que atuam no sistema financeiro tradicional de países como França, Noruega, Israel, Polônia, Canadá e Alemanha. Apenas a partir dos dados divulgados das investigações sabe-se que os mais citados são figuras do mundo da arte e da política dos EUA (Bill Clinton, Donald Trump, Stacey Plaskett), do Reino Unido (Príncipe Andrew, Peter Mandelson) e da Eslováquia (Miroslav Lajčák). Muitos dos envolvidos se viram no centro de escândalos, já perderam seus cargos ou estão sob investigação.
Novos vazamentos de informações confidenciais revelam: Jeffrey Edward Epstein se interessava por criptomoedas e, por meio de instituições acadêmicas, financiava pesquisas relacionadas a ativos digitais. Durante a correspondência, Epstein discutia a natureza do Bitcoin, mantinha contato com desenvolvedores e investidores. Mas nenhum dos documentos prova que ele controlava o Bitcoin ou estava envolvido em sua criação.
O interesse de Epstein por criptomoedas se explica pelo desejo comum de evitar o controle bancário e utilizar instrumentos financeiros mais autônomos.
Os documentos analisados pelas autoridades não contêm esquemas documentados de pagamentos em criptomoedas pela prestação de serviços ilegais nem confirmação direta da existência de uma rede centralizada de tais “clientes” — nos arquivos faltam dados claros sobre carteiras de criptomoedas e não há casos registrados de pagamento de serviços em criptomoedas. Todas as operações financeiras que foi possível rastrear ocorreram, em sua maioria, por meio de canais bancários tradicionais.
Atualmente, o Departamento de Justiça dos EUA publicou um arquivo que inclui mais de 3,5 milhões de páginas de documentos, 180 mil imagens e 2 mil vídeos. Durante as buscas, foram encontradas inúmeras fotos de meninas. Segundo o Miami Herald, a violência contra menores durou anos.
Vale ressaltar que a “decifração” e a divulgação dos materiais são um processo bastante demorado, e as informações são regularmente complementadas e atualizadas; além disso, a simples menção nos documentos nem sempre significa envolvimento nos crimes.