
A Bitcoin Depot, operadora de caixas eletrônicos de criptomoedas que ainda no ano passado controlava a maior rede de caixas eletrônicos de Bitcoin da América do Norte, entrou com um pedido de recuperação judicial nos termos do Capítulo 11. A empresa encerrou as operações de mais de 9.000 de seus caixas eletrônicos de criptomoedas nos EUA e suspendeu as operações financeiras internacionais, incluindo no Canadá. Todas as unidades da empresa localizadas fora do país serão fechadas de acordo com a legislação das jurisdições onde estão situadas.
Os procuradores-gerais dos estados americanos de Iowa e Massachusetts anexaram mais de 13.400 reclamações ao processo e apresentaram acusações contra a Bitcoin Depot por comissões ocultas, proteção insuficiente dos dados pessoais dos usuários e por facilitar conscientemente fraudes com criptomoedas. Recomenda-se a todos os usuários de caixas eletrônicos de criptomoedas que verifiquem o status das transações pendentes, uma vez que parte das operações passará para o processo de liquidação judicial devido à falência da Bitcoin Depot.
Além disso, após o incidente em abril de 2026, quando hackers atacaram o sistema de TI interno da Bitcoin Depot, uma unidade do Departamento de Estado dos EUA foi obrigada a congelar ativos criptográficos no valor de cerca de US$ 3,7 milhões. De acordo com informações nas mãos das autoridades, somente em 2025, cidadãos dos EUA perderam US$ 389 milhões devido a fraudes envolvendo caixas eletrônicos de criptomoedas. Devido a corretoras de criptomoedas falsas, fraudes com criptomoedas e outros crimes cibernéticos – US$ 9,3 bilhões em 2024 e US$ 11,366 bilhões em 2025, respectivamente.
A direção da empresa Bitcoin Depot acusou diretamente o sistema regulatório dos Estados Unidos da América. O CEO da plataforma, Alex Holmes, afirmou que as exigências rígidas dos estados tornaram seu modelo de negócios “inviável” e que o modelo se tornou “incompatível com as novas regras”, referindo-se ao reforço dos controles KYC/AML, às restrições aos valores das transações com criptomoedas e à proibição de caixas eletrônicos de criptomoedas em vários estados dos EUA.
Para os investidores, a situação atual serve de alerta. A grande maioria dos serviços “híbridos”, que combinam e processam transações em dinheiro e ativos digitais, permanece extremamente vulnerável à pressão regulatória excessiva. Apesar da conveniência dessas plataformas para a rápida conversão de criptomoedas em moeda fiduciária (USD, UAH, EUR) ou vice-versa (USDT, BTC, ETH) – operar dentro do quadro legal com grandes volumes de dinheiro, para prevenir a lavagem de dinheiro, exige a identificação dos clientes.
Portanto, o mercado depende cada vez mais não da cotação do Bitcoin, mas da política dos reguladores, que exigem relatórios financeiros transparentes, controle da origem dos recursos e proteção real dos clientes. Por isso, os investidores devem reavaliar os riscos no setor de infraestrutura física de criptomoedas, e as empresas de infraestrutura de criptomoedas devem rever sua estratégia em relação ao Bitcoin.
Lembrete: a empresa Bitcoin Depot foi fundada em 2016 em Atlanta e se expandiu ativamente na onda do progresso dos investimentos em criptomoedas. Em 2023, a Bitcoin Depot entrou na bolsa Nasdaq, posicionando-se como a “ponte mais rápida entre o dinheiro físico e a criptomoeda”. Seus caixas eletrônicos operavam na Austrália, em 47 estados dos EUA, e possuíam uma rede extensa também no território do Canadá (até 1.400 caixas eletrônicos de criptomoedas). No início de 2026, os lucros da empresa despencaram 49,2% e o prejuízo líquido atingiu US$ 9,5 milhões. Posteriormente, as ações da Bitcoin Depot perderam cerca de 73% do valor.