
Após o halving do Bitcoin em 2024, o mercado de criptomoedas e o mercado de equipamentos de mineração entraram em uma fase de reavaliação rigorosa dos riscos. A rentabilidade da mineração não depende mais apenas do preço do BTC, mas também do custo da energia elétrica e da eficiência dos equipamentos ASIC. Isso, por sua vez, gera uma concorrência acirrada entre os mineradores.
De acordo com as estimativas da grande maioria das empresas de análise, dois em cada dez mineradores de Bitcoin operam no prejuízo (o que representa cerca de 20% do total), e o custo de produção de um BTC, para algumas empresas do setor de criptomoedas, já ultrapassa os lucros gerados pela sua venda.
Dados analíticos, referentes aos primeiros dois trimestres de 2026, indicam que existem vários fatores significativos que influenciam o mercado como um todo. Entre eles estão o halving, ocorrido em abril de 2024, quando a recompensa foi reduzida para 3,125 BTC por bloco, o aumento do preço dos equipamentos ASIC de nova geração e o endividamento de muitas empresas de mineração. Além disso, o hash rate do Bitcoin e os altos preços da energia elétrica na Europa e em parte da Ásia representam um peso significativo no custo de produção.
O preço do Bitcoin e a zona de pressão financeira
Se, há 10 anos, em 2016, no mercado internacional, o custo médio de mineração de 1 BTC era estimado em aproximadamente US$ 300–700, dependendo do país e do equipamento, no primeiro semestre de 2026 as grandes mineradoras de capital aberto apresentam um custo médio de cerca de US$ 85–95 mil ou € 78–87 mil por um BTC.
O custo médio de mineração de 1 BTC em 2026 é estimado em cerca de US$ 90 mil (≈ € 83 mil). Já o preço de mercado do Bitcoin no primeiro semestre de 2026 oscilou entre US$ 108 mil e 112 mil (≈ € 99 mil a 103 mil). É justamente essa faixa estreita, em que a diferença varia de aproximadamente 18% a 22%, que os analistas chamam de “zona de pressão financeira”.
Qual é o grau de interdependência entre o mercado de criptomoedas e o mercado de equipamentos?
Esses setores se desenvolvem praticamente em paralelo. De acordo com os dados analisados pelos mais importantes centros de análise CoinShares e JPMorgan: mais de 80% da receita dos fabricantes de ASICs depende da atividade dos mineradores, e uma queda de 30% a 40% no preço do BTC reduzia as vendas de equipamentos em 50% ou mais.
Portanto, quando o Bitcoin sobe de preço, os mineradores compram equipamentos em massa. Quando, ao contrário, o preço cai, as vendas de ASICs despencam drasticamente, e parte das fazendas de mineração chega até a ser desligada.
A título de comparação: outras criptomoedas bastante populares apresentam uma dinâmica econômica de mineração um pouco diferente e, consequentemente, diferentes níveis de viabilidade e rentabilidade. A Litecoin, devido às suas características tecnológicas, apresenta custos energéticos significativamente menores. É verdade, porém, que sua capitalização de mercado também é menor. Junto com a Litecoin, a Dogecoin também é minerada. Comparativamente, a Kaspa e outras novas moedas PoW têm um limiar de entrada mais baixo, mas também um risco significativamente maior. Vale ressaltar que, após a transição para o Proof-of-Stake em 2022, o Ethereum não será mais minerado da maneira clássica.
Uma escolha difícil com um toque de sorte
Os investimentos no setor de criptomoedas, especialmente na mineração, estão se assemelhando cada vez mais a uma verdadeira loteria. Se um minerador comprou equipamentos antes da alta do preço, tem energia elétrica barata e resistiu a períodos de queda – ele, em 99,9% dos casos, provavelmente se tornará um multimilionário.
Se, por outro lado, entrou no mercado no pico dos preços, fez um empréstimo ou paga por energia elétrica cara – corre o risco de trabalhar no vermelho ou sem lucro por anos.
Atualmente, o Bitcoin continua sendo um dos pouquíssimos ativos digitais que, ao longo de uma década, passou de um experimento interessante a um instrumento financeiro global com capitalização de trilhões de dólares. Ao mesmo tempo, para uma parte significativa dos participantes do mercado, a mineração de criptomoedas deixou de ser um “dinheiro fácil”. Na realidade de 2026, trata-se de um negócio altamente competitivo, em que dois em cada dez mineradores operam no vermelho, e a fronteira invisível e imensurável entre o futuro multimilionário e a falência total é, com muita frequência, medida por apenas alguns centavos por quilowatt-hora.